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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Delator mencionou Aécio, Renan e Randolfe por suposta propina

Homem que entregava dinheiro a políticos também citou integrantes do PP. Ele também afirmou que o senador Aécio Neves teria recebido R$ 300 mil.
No mesmo depoimento em que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi mencionado por suposto recebimento de R$ 300 mil a mando do doleiro Aberto Youssef, o delator Carlos Alexandre de Souza Rocha citou supostos valores repassados ao senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e Randolfe Rodriges (Rede-AP). Ele também mencionou membros do PP já citados em depoimentos anteriores.
O depoimento, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi dado em julho. Nele, Rocha disse que fazia para Youssef serviço de entrega de dinheiro para políticos. Mais cedo, o G1 confirmou o teor do depoimento do delator após reportagem do jornal "Folha de S.Paulo". A assessoria de imprensa do senador classificou a acusação de Rocha como "falsa e absurda". (veja ao final desta reportagem a explicação dada por cada um dos citados no depoimento)
De acordo com Rocha, entre janeiro e fevereiro de 2014, Youssef informou ter valor de R$ 1 milhão em Recife que precisaria levar a Maceió. O próprio delator teria entregado o dinheiro, em duas partes de R$ 500 mil, para “um homem elegante” num hotel na capital alagoana. Rocha disse ter questionado Youssef  sobre o destinatário do dinheiro, e o doleiro teria respondido: “O dinheiro é para Renan Calheiros”.
O delator também informou que, entre 2009 e 2014, ouviu Albertou Alberto Youssef dizer que iria disponibilizar R$ 2 milhões para Renan Caheiros a fim de evitar a instalação de uma CPI para investigar a Petrobras. Ele não informou, no entanto, se o repasse de fato ocorreu.
Em relação ao senador Randolfe Rodriges, Rocha disse que Youssef afirmou, em referência ao senador socialista: “Para esse aí já foram pagos R$ 200 mil”. Ele disse ter questionado ao doleiro se ele tinha certeza, e Yousseff teria respondido ter certeza “absoluta”. Rocha, porém, disse não saber se o valor foi efeytivamente pago e nem como. Ao G1, Randolfe classificou a citação como “descabida”.
Propina no PP
Ao tratar do pagamento de propina a deputados do PP, Rocha afirmou que Yousseff usava a expressão "mensalão do PP" e dizia que os valores eram repassados para manter o partido na base do governo. No depoimento, ele cita pagamentos ao deputado Nelson Meurer (PP-PR) e ao ex-ministro Mário Negromonte.
Rocha disse que Youssef comentava que, entre os políticos, Negromonte era "o mais achacador" e que teria perdido o cargo de ministro das Cidades, em 2012, "porque não estava 'fazendo caixa' para o Partido Progressista [PP], uma vez que estaria 'roubando apenas para ele próprio'". Segundo Rocha, Youssef disse ter repassado R$ 5 milhões a Mário Negromonte na campanha de 2010.
Ele declarou, ainda, que, em 2010, fez "umas quatro" entregas de dinheiro em espécie, no valor de R$ 300 mil, em um apartamento funcional na quadra 311 Sul, em Brasília, mas que não sabia quem era o morador. Nas vezes em que esteve lá, estavam presentes os ex-deputados João Pizzolatti, Mário Negromonte, Pedro Corrêa e outros parlamentares que disse não ter reconhecido.
Rocha relatou que o dinheiro era transportado no corpo, escondido em meias de futebol e calças mais folgadas. Ao chegar ao apartamento, "ia ao banheiro para retirar o dinheiro das pernas, que estava embalado em filmes plásticos, e retornava com uma sacola de dinheiro e apresentava a todos que estavam à espera, na sala do apartamento".
No trecho em que relata pagamentos ao deputado Nelson Meurer, Rocha disse que entregou duas vezes, em um hotel em Curitiba, dinheiro destinado ao parlamentar. Segundo ele, uma entrega foi no valor de R$ 300 mil e a outra, entre R$ 150 mil e R$ 300 mil. Youssef dizia, segundo Rocha, que Meurer era um dos líderes do PP que recebia a "mesada gorda".
De acordo com o relato de Rocha, quem recebeu o dinheiro foi o filho do parlamentar - o delator disse, no entanto, que não se recorda do nome dele. Ao ver fotos Nelson Meurer Junior, o delator não o reconheceu como sendo a pessoa para quem entregava o dinheiro, mas disse que não descarta essa possibilidade.
Rocha contou, ainda, que viu o deputado no escritório de Youssef em São Paulo, mas que não o viu recebendo dinheiro. No entanto, afirmou que "ninguém ia ao escritório de Alberto Youssef para rezar".

Além de ter declarado pagamento entregue ao filho de Meurer, Rocha afirmou que entregou dinheiro "na mão" dos ex-deputados federais João Pizzollatti, Pedro Corrêa e Luiz Argôlo.

Diretor da UTC citado
Rocha afirmou, também, que entregou R$ 300 mil ao diretor comercial da empreiteira UTC, empresa investigada na Lava Jato por suposta participação em desvio de recursos da Petrobras. Esse diretor, Antonio Carlos D'Agosto Miranda, teria afirmado a Rocha que o dinheiro se destinava ao senador Aécio Neves (PSDB-MG).
Nem o dono da UTC, Ricardo Pessoa, nem o diretor financeiro da empresa, Walmir Pinheiro Santana, citaram Aécio Neves nos depoimentos que prestaram aos investigadores da Lava Jato. Rocha afirmou no depoimento que questionou Miranda sobre a "agonia por esse dinheiro",  entregue ao diretor, segundo disse, "provavelmente" em setembro ou outubro de 2013, no Rio de Janeiro.
De acordo com o depoimento, Miranda fez um desabafo: "Ainda bem que esse dinheiro chegou, porque eu não aguentava mais a pessoa me cobrando tanto". Rocha disse no depoimento que em seguida perguntou ao diretor quem era essa pessoa e que Miranda teria respondido: "Aécio Neves".

Veja o que diz cada um dos citados:

Senador Aécio Neves (PSDB-MG)
A citação ao nome do senador Aécio Neves é falsa e absurda e, além de não ter nenhuma comprovação, já foi desmentida três vezes: pela empresa, e  pelos depoimentos de seu presidente e de Alberto Yousseff.
Trata-se de mais uma tentativa de confundir a opinião publica e levar os veículos de comunicação a citar nomes de políticos da oposição em um escândalo que pertence ao governo do PT. Como outras tentativas de fraude, essa também será desmascarda.

Ex-deputado João Pizzolatti (PP-SC)
A defesa de João Pizzolatti  afirma que ele não conhece o senhor Ceará  e afirma categoricamente que Pizzolatti não recebeu nenhum valor do doleiro Alberto Yousseff  ou de pessoas ligadas a ele. A defesa afirma ainda que se eventualmente dividas de campanha foram pagas por josé janerne pizzolatti não pode ser responsabilizado.

Ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP)
O ex-ministro Mário Negromonte, que atualmente integra o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, afirmou, por telefone, que nunca ouviu falar no Carlos Alexandre de Souza Rocha e que não tem conhecimento sobre as afirmações dele.
Negromonte disse que a situação é "absurda" e que o caso se trata de um criminoso querendo se livrar do crime acusando cidadãos sem nenhuma prova material.

Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
"Isso é totalmente sem noção. É hilário, incabível. Primeiro eu não sei nem quem é o senhor Carlos Alexandre Rocha. Nunca tive contato com quem quer que seja. Minha campanha em 2010 foi feita com base em doações individuais, de pessoas físicas. O orçamento total da minha campanha em 2010 foi de R$ 210 mil. Esse valor de R$ 200 mil [citado por Rocha] chega a quase ser superior ao orçamento da minha campanha. Estou achando que isso [a citação a Randolfe] é algo arranjado. Nunca soube quem é Carlos Alexandre Rocha nem quem é Alberto Youssef. Nunca nem passei perto dele. Não conheço nem pessoas que sejam próximas a ele. Nunca tive relação direta ou indireta com prestadores de serviços de empreiteiras".

Senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado
Por meio de sua assessoria de imprensa, "o senador Renan Calheiros nega as imputações e reitera que não conhece a pessoa de nome Alberto Youssef".

UTC
A UTC informa que a afirmação não tem fundamento.

*Até a última atualização desta reportagem, o G1 e a TV Globo não haviam obtido resposta do ex-deputado Pedro Corrêa. O G1 não conseguiu entrar em contato com o deputado Nelson Meurer.
Fonte: G1
 
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