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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Ministro da Justiça diz que PF investigará FHC se houver indícios de crime

Bruno Santos/Folhapress/Reprodução/Youtube
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a jornalista Miriam Dutra
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a jornalista Mirian Dutra
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que uma equipe do ministério fará um estudo "técnico e jurídico" para avaliar se o ex-presidente Fernando Henrique Cardozo cometeu algum crime federal ao enviar dinheiro para o exterior através da empresa Brasif Importação e Exportação.

Reportagem publicada pela Folha na quinta (18) revela que a jornalista Mirian Dutra firmou contrato fictício com a Brasif para receber dinheiro no exterior de Fernando Henrique Cardozo.

"Havendo indícios de delitos puníveis de competência federal, seguramente a Polícia Federal fará investigação através de inquérito. Isso não vale apenas para o presidente Fernando Henrique. Vale para todos os brasileiros. É impessoal", afirmou o ministro da Justiça.

Fernando Henrique admitiu ter enviado dinheiro à jornalista, mas nega ter usado a empresa.

Cardozo visitou nesta manhã desta sexta (19) o centro de comando instalado na HSBC Arena e verificou as medidas de segurança adotadas para a entrada de pessoas no Parque Aquático Maria Lenk, ambos na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, durante a Olimpíada a partir de 5 de agosto.



ENTENDA O CASO

A jornalista Míriam Dutra afirmou, na semana passada, que manteve um contrato fictício com a empresa Brasif Exportação e Importação entre 2002 e 2006 para receber dinheiro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em contas bancárias no exterior. Os US$ 3.000 mensais que recebia eram usados para bancar parte do sustento de Tomás Dutra, fruto do relacionamento que Míriam e FHC mantiveram durante seis anos, entre o final dos anos 1980 e o início dos 1990. Míriam contou sua versão da história ao jornal Folha de São Paulo.
Míriam e FHC se conheceram em 1985, em Brasília, onde ela trabalhava como jornalista na TV Globo e FHC exercia mandato de senador. Após o nascimento de Tomás, Míriam se mudou para Portugal. Morou também na Inglaterra e na Espanha. Apesar de não ter registrado Tomás, FHC ajudou em seu sustento e sempre o tratou como filho. Míriam afirma que, apesar de nunca ter feito trabalho algum para a Brasif, aceitou a proposta porque passava por dificuldades financeiras para sustentar Tomás e seus dois irmãos na Espanha, onde vivia na ocasião. Segundo ela, FHC disse ter depositado US$ 100 mil em uma conta da Brasif, que sacava parte do valor todos os meses e fazia o pagamento. Por meio de nota enviada pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente afirma que os recursos usados para sustentar Tomás “provieram de rendas legítimas de meu trabalho, depositadas em contas legais e declaradas ao IR, mantidas no Banco do Brasil em NY/ Miami ou no Novo Banco, Madri, quando não em bancos no Brasil.”

A versão de Míriam para o pagamento dessa espécie de pensão contradiz a de FHC. Na nota, FHC afirma que “nenhuma outra empresa, salvos as bancárias já referidas, foi utilizada por mim para fazer esses pagamentos. Com referencia a empresa citada no noticiario de hoje, trata-se de um contrato feito há mais de 13 anos, sobre o qual não tenho condiçoes de me manifestar enquanto a referida empresa não fizer os esclarecimentos que considerar necessários”. Míriam apresentou um contrato de trabalho com a Brasif para comprovar a fonte de sua renda. A Brasif era detentora do monopólio da venda de produtos importados, sem imposto, nos free shops dos aeroportos brasileiros. Em 2006, a Brasif foi vendida ao grupo suíço Duty por US$ 500 milhões. Seu proprietário, o empresário Jonas Barcellos, disse ao jornal não se lembrar de detalhes da ajuda a Míriam Dutra. Época não conseguiu contato com ele.

Em 2009, um ano após a morte da ex-primeira dama Ruth Cardoso, FHC reconheceu formalmente Tomás como filho. Em 2011, ele e Tomás fizeram dois exames de DNA, que deram negativo – o que indica que Tomás não é filho biológico de FHC. Apesar dos resultados, o ex-presidente disse que nada mudou no relacionamento entre eles. Recentemente, FHC doou a Tomás um apartamento de 200 mil euros em Barcelona e “alguns recursos” para bancar seu curso de mestrado. “A doação para a compra do imóvel foi feita por intermédio de transferências de recursos meus no Bradesco com o conhecimento do Banco Central”, diz, por meio da nota de seus instituto.

Míriam Dutra rompeu seu contrato com a TV Globo, empresa com a qual colaborou por 35 anos, no final do ano passado. Em nota, a TV Globo afirma que “não interfere na vida privada de seus colaboradores. Esclarece, porém, que jamais foi avisada por Miriam Dutra sobre o contrato fictício de trabalho e que, se informada, condenaria a prática. A emissora informa ainda que em junho de 2004 (e não em 2002) o contrato de colaboradora de Miriam Dutra foi alterado, com mudanças em suas atribuições, o que acarretou nova remuneração, tudo segundo a lei vigente no país em que trabalhava. Por último, a TV Globo jamais foi informada por Miriam Dutra sobre seu desejo de regressar ao Brasil. Ao contrário, ela sempre manifestou o interesse de permanecer no exterior. Durante os anos em que colaborou com a TV Globo, Miriam Dutra sempre cumpriu suas tarefas com competência e profissionalismo”.

Fonte: Folha de S. Paulo e O Globo
 
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