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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Advogado de Lula rebate MP e acusa Lava Jato de perseguição

Segundo o advogado, procuradores não apresentaram provas.
‘Crime de Lula foi ter sido eleito presidente duas vezes’, disse.
Advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin
O advogado de Lula e Marisa Letícia convocou a imprensa para apresentar os argumentos da defesa, depois da divulgação da denúncia dos promotores contra o ex-presidente e a ex-primeira-dama. Cristiano Zanin acusou a Lava Jato de perseguição.

“Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa Marisa Letícia Lula da Silva repudiam pública e veementemente a denúncia ofertada na data de hoje pelo Ministério Público Federal, baseada em peça jurídica de inconsistência cristalina. A denúncia em si perdeu-se em meio ao deplorável espetáculo de verborragia da manifestação da força-tarefa Lava Jato. O MPF elegeu Lula como maestro de uma organização criminosa, mas esqueceu do principal, a apresentação de provas dos crimes imputados. Quem tinha poder? Resposta: Lula. Logo, era o comandante máximo da propinocracia brasileira. Um novo país nasceu hoje sob a batuta de Deltan Dallagnol. E neste país, ser amigo e ter aliados políticos é crime. A farsa lulocêntrica criada ataca o estado democrático de direito e a inteligência dos cidadãos brasileiros. Não foi apresentado um único ato praticado por Lula, e muito menos uma prova. Desde o início da Operação Lava Jato houve uma devassa na vida do presidente Lula. Nada encontraram. Foi necessário então apelar para um discurso farsesco. Construíram uma tese baseada em responsabilidade objetiva incompatível com o direto penal. O crime de Lula para a Lava Jato é ter sido presidente da República, eleito democraticamente por duas vezes. O fator real inquestionável é que Lula e dona Marisa não são proprietários do referido imóvel que pertence à OAS. Se não são proprietários, Lula e sua esposa não são também beneficiários de qualquer reforma ali feita. Não há artifício que possa mudar esta realidade.”

O advogado voltou afirmar que dona Marisa Letícia comprou, em 2005, uma cota da Bancoop, então responsável pelo prédio em Guarujá. Segundo o advogado, em 2014 a família visitou outra unidade, um tríplex, mas não se interessou pelo imóvel.

“Lula e dona Marisa, depois de visitarem o imóvel, avaliaram que ele não se adequava às características da família. Aquela vez, em 2014, foi a única vez que o ex-presidente Lula esteve no imóvel. Foi a única vez que ele foi verificar se tinha interesse no imóvel. Dona Marisa e Fábio voltaram ao apartamento quando ele estava em obras. Mas em nenhum momento Lula ou seus familiares tiveram a posse ou a propriedade e sequer utilizaram o apartamento um único dia.”

O advogado de Lula disse que a denúncia da Lava Jato tem caráter político.
“Este relatório da polícia que embasou a denúncia de hoje foi feito por um agente da polícia que tem um histórico de ofensas ao ex-presidente Lula nas redes sociais. O histórico apresentado mostra claramente um cenário de perseguição. Eu não tenho dúvida de que a Lava Jato elegeu Lula como autor de um crime, está buscando qual é esse crime, não achou, depois de ter feito uma devassa. E hoje apresentou uma denúncia com uma acusação que é absolutamente irreal. É uma tática de ilusionismo porque atribui uma propriedade que simplesmente não existe. Então, diante dessa circunstância, eu entendo que há sim um cenário de perseguição, e, mais do que isso, há uma real intenção de tirar o ex-presidente Lula do cenário político eleitoral para 2018.”

Lembrando que a denúncia do Ministério Público não significa que os denunciados sejam culpados. Uma vez apresentada a denúncia, cabe à Justiça acolher ou não as argumentações dos promotores. E, se acolher, aí, sim, os denunciados se tornarão réus e serão julgados.

Fonte: O Globo
 
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